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Albergaria-a-Velha. Do bronze à água.

por alho_politicamente_incorreto, em 22.02.18

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 Foto: Município de Albergaria-a-Velha

A estátua, com 2 metros de altura, da Rainha D. Teresa, uma obra do artista Hélder Bandarra, (...) ainda que inaugurada a 11, foi formalmente requisitada a 13 de novembro a uma empresa de Vila Nova de Gaia. E custou, por ajuste direto, 14.760,00 €uros, desconhecendo-se ainda o valor pago pela conceção/criação artística.

 

«A escola (tipo ‘Fame’) que pôs uma pequena vila portuguesa no mapa-mundo das artes» - Foi este o título do destaque dispensado, na edição do passado dia 9, pelo Notícias Magazine à JOBRA (da combinação das primeiras sílabas das palavras “JOvens” e “BRAnca”), «a única escola profissional do continente que junta teatro, música e dança. A primeira no país a abrir um curso técnico de Instrumentista de Jazz e que, neste momento, tem no total 678 alunos de 67 concelhos.» Merecido tributo para um dos mais estimados baluartes albergarienses, nascido a 8 de dezembro de 1969. Com uma ação que tem implicações muito favoráveis na economia local, mormente nos setores do comércio, da restauração e do imobiliário, a vocação humanista da JOBRA, tendo em vista «o desenvolvimento de uma sociedade mais crítica, solidária e culturalmente enriquecida», há muito que ultrapassou as fronteiras do nosso Concelho para, neste momento, ser uma referência incontornável no campo das artes de palco. Chapeau!

 

Comemorações dos 183 anos do Concelho de Albergaria-a-Velha. Sem novidades ou grandes inovações, cumpriu-se o calendário ponderado pelo atual executivo camarário. Um dossiê que abordaremos oportunamente. Contudo estas comemorações não podem dissociar-se das celebrações dos 900 anos de Albergaria-a-Velha, que teve como ponto alto, a 11 de novembro de 2017, a inauguração da estátua da Rainha D. Teresa.

 

Estátua em bronze custou 14.760,00 €uros. A estátua, com 2 metros de altura, da Rainha D. Teresa, uma obra do artista Hélder Bandarra, colocada junto à antiga Estrada Real e perto do local da albergaria original mandada erguer pela mãe de D. Afonso Henriques, ainda que inaugurada a 11, foi formalmente requisitada a 13 de novembro a uma empresa de Vila Nova de Gaia. E custou, por ajuste direto, 14.760,00 €uros, desconhecendo-se ainda o valor pago pela conceção/criação artística.

 

Não discuto os méritos da iniciativa. Não questiono a justiça da homenagem. Mas deixo à consciência dos cidadãos livres e descomprometidos o julgamento do valor total despendido nesta empreitada – que está longe de ser despiciendo - se considerarmos que temos, durantes largos meses, ruas que não são limpas, atoladas em lixo tardiamente recolhido, sarjetas entupidas, estradas degradadas, escolas do 1.º Ciclo com velhos computadores RECONDICIONADOS, em salas SEM quadros interativos, entre outras “medalhas” que pouco terão a ver com a realeza.

Água a preço d’Ouro. A partir dos Tarifários da AdRA, do INE e do OE para 2018, a água, para os albergarienses, aumentará 1,6% tendo por referência o Escalão 1 a 5 m3. De facto, já lá vai o tempo em que se dizia que «o preço da água era uma pouca-vergonha» para logo a seguir prometer – vencendo eleições à custa disso – a sua redução.

Acresce a tudo isto o facto de António Loureiro (AL) ser Administrador da AdRA - entretanto reconduzido para novo mandato (de mais 3 anos) – onde poderia exercer um genuíno magistério de influência. Poderia. De resto, importa sinalizar, em jeito de alerta, que o Plano de Investimentos delineado aquando do Contrato de Concessão se tem vindo a atrasar significativamente. Há quem garanta que Albergaria tem sido preterida. Todos vamos assistindo, através do Facebook do Presidente da AdRA, à forma como acompanha e inaugura obras em vários concelhos, sobressaindo o caso de Ovar. De pouco valerão algumas aparições de charme quando – à exceção da renovação da rede na Alameda 5 de Outubro e agora na obra da rua Egas Moniz – pouca obra se vê, designadamente no que concerne à criação de novas redes.

Desde 2013, (…) o preço da água só conheceu um movimento – o da subida. Consecutivos aumentos, sempre (bem) acima da inflação, têm sobrecarregado os albergarienses de uma forma assaz violenta e desproporcionada tendo em consideração a qualidade dos serviços prestados à população.

 

O problema é que se prometeu a sua diminuição antes de chegar ao poder e fez-se o seu contrário quando lá se chegou. Desde 2013, altura em que AL passou a ser presidente da edilidade, o preço da água só conheceu um movimento – o da subida. Consecutivos aumentos, sempre (bem) acima da inflação, têm sobrecarregado os albergarienses de uma forma assaz violenta e desproporcionada tendo em consideração a qualidade dos serviços prestados à população. Muito fraca. Em abstrato, muito do descrédito a que está votada a classe política tem precisamente como origem esta tendência suicida de prometer tudo a toda a gente para, mais tarde, enrolar a língua e fazer o seu contrário. Os cidadãos merecem respeito.

 

Doar um livro é um ato de solidariedade. A Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha assinalou, no passado dia 14, o Dia Internacional da Doação de Livros, «com a assinatura de 69 protocolos de doações relativos a diferentes recursos – livros, periódicos, CD, DVD – oferecidos por particulares à Biblioteca Municipal.»

A data, recorde-se, foi sugerida por um americano de 6 anos, em 2011, quando estimulou familiares e amigos a trocarem livros entre si. A iniciativa inspirou sua mãe a organizar a comemoração internacionalmente, conseguindo, a cada ano, envolver mais pessoas e países.

Portugal carece (ainda) de leitores. Infelizmente, os livros mantêm-se caros para uma grande parte do povo. E muitos não têm sequer interesse em ler. Desta forma, aceitamos o edificante papel de espalhar sementes: quem sabe se alguns destes livros não seduzirão uma ou mais pessoas ao ponto de se transformarem em leitores assíduos e competentes? De resto, partilhar um livro estimado - mas entretanto esquecido na estante - com o outro é um ato nobre, da mais pura solidariedade.

José Manuel Alho

 

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Nonsense. Da história da Carochinha ao Carnaval.

por alho_politicamente_incorreto, em 08.02.18

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Foto retirada daqui

Ficou assim por saber por que razão se arrastou tão penosa indefinição, um cruel nonsense que só prejudicou a coletividade local, para, no final das contas, entronizar Adalberto Póvoa em termos e condições que o próprio, de tão favoráveis, nem sequer (presumimo-lo) terá antecipado.

 

Ultrapassado o impasse, Adalberto Póvoa vence em toda a linha. Na noite do passado dia 31 de janeiro, extinguiu-se o imbróglio que desde outubro passado paralisava a Junta de Freguesia de S. João de Loure e Frossos. A mesma oposição que inviabilizou a proposta de Adalberto Póvoa, o presidente reeleito, de colocar no executivo, além do PSD, membros do PS e do CDS/PP, aprovou agora uma solução que oferece aos sociais-democratas uma maioria categórica (2 elementos do PSD + 1 elemento do PS). Sem polémica, também foram eleitos os membros para a Mesa da Assembleia de Freguesia. Ficou assim por saber por que razão se arrastou tão penosa indefinição, um cruel nonsense que só prejudicou a coletividade local, para, no final das contas, entronizar Adalberto Póvoa em termos e condições que o próprio, de tão favoráveis, nem sequer (presumimo-lo) terá antecipado. Consagra-se, de novo, um autarca que triunfa pela coerência e firmeza de princípios, sem nunca titubear na hora de honrar compromissos assumidos com o eleitorado. Que todos, em função da nobreza da ação política, pudessem dizer o mesmo. Ou como, muitas vezes, a eficácia resulta da simplicidade do expediente. Uma palavra de elogio para Arménio Silva, do CDS/PP, protagonista de uma intervenção absolutamente modelar, do melhor que se pode exigir a qualquer autarca quando, somente animado pelo desiderato de promover o progresso e o bem-estar da população que serve, se expõe aos desafios do inesperado.

 

Tribunal de Contas alerta para falhas na contabilidade das escolas públicas. Na sequência de uma auditoria do Tribunal de Contas (TdC) aos processos utilizados na contabilidade de 811 escolas, com o propósito de saber se as regras do Estado estão ou não a ser bem aplicadas nas unidades de ensino, saiu a recomendação para o Ministério da Educação integrar contabilistas no pessoal administrativo dos agrupamentos.

A análise e avaliação dos resultados sinalizaram problemas no tratamento das contas, na inscrição de verbas nos mapas de contabilidade, em cada ano, e das despesas pagas pelas escolas à Parque Escolar, E.P.E., criada pelo Decreto-Lei n.º 41/2007, de 21 de fevereiro. Em complemento, o TdC ressalva que, das escolas auditadas, 91% (729) fizeram-no optando apenas pelo regime simplificado do POC-Educação.

Daí que entenda, subscreva e apoie fortemente a recomendação do Tribunal de Contas, que prioriza a contratação e formação de mais contabilistas para as escolas. Um novo paradigma que só pode ser bem acolhido por todos os que, há muito, se batem por mais rigor e transparência na gestão das escolas públicas.

 

270.000 €uros para a reabilitação da Escola Secundária de Albergaria. Feita a adjudicação da empreitada, em parceria com o Ministério da Educação (ME), a intervenção terá um prazo de execução de 90 dias. Na informação oficial disponibilizada no website da edilidade, intitulada «Município reabilita Escola Secundária de Albergaria-a-Velha», salienta-se: «Conscientes da existência de “um estado de degradação evidente no edifício que condiciona fortemente as condições de utilização”, o Município de Albergaria-a-Velha e o Ministério de Educação decidiram promover a reabilitação do edifício em várias fases.»

Ergui a voz para me opor a esta escolha, aduzindo a alternativa de construir, na Escola Básica de Albergaria, mais um pavilhão com salas de aula, solução que, aliás, teria consumado a versão inicial do projeto para aquele estabelecimento de ensino.

A Escola Secundária, apesar de - releva, pasme-se, a edilidade - o ME ser a «entidade responsável pela manutenção do estabelecimento de ensino», acaba por beneficiar de uma obra que resulta justamente de um entendimento alcançado entre a Câmara e o ME. E a história da Carochinha desaba aqui. Pergunta-se: por que não aconteceu o mesmo entendimento com a tutela sobre a Escola Básica?

 

 

Primeiro: boa nota para a capacidade do executivo camarário em convencer a tutela para a urgência de uma intervenção há largo tempo reclamada mas nem por todos 3desde sempre assumida. Segundo: há quem tenha, nos últimos anos, desperdiçado (boas) oportunidades de financiamento e fingido, bem ao jeito dos que varrem os problemas para debaixo do tapete, que a situação nunca terá sido verdadeiramente premente. Por isso, alguns terão chegado tarde a esta carruagem pelo que, nestes casos, os autoelogios pecarão por manifestamente imerecidos e falazes.

 

Uma história mal contada. Bem no final do anterior mandato, António Loureiro (AL), Presidente de Câmara em busca da reeleição para um segundo mandato, anunciou, antes da aprovação da 1.ª revisão da Carta Educativa (ocorrida somente a 24 de novembro passado) a opção de requalificar a Escola da Avenida para – segundo o próprio - (cor)responder o acréscimo da população escolar do 1.º Ciclo na sede do Concelho. Ergui a voz para me opor a esta escolha, aduzindo a alternativa de construir, na Escola Básica de Albergaria, mais um pavilhão com salas de aula, solução que, aliás, teria consumado a versão inicial do projeto para aquele estabelecimento de ensino.

 

Uma história que deveria ter tido outro fim. Na verdade, faria todo o sentido ali edificar o pavilhão em falta para otimizar os equipamentos lá concentrados: biblioteca, refeitório, laboratórios, auditório, papelaria, pavilhão gimnodesportivo, infraestruturas de apoio à multideficiência, sem menosprezar a proximidade com as piscinas municipais. Um argumentário que não se revelou suficiente para convencer o executivo camarário. 

 

A história da carochinha que (agora) cai pela base. Para justificar a recusa da opção de construir mais um pavilhão na área da atual Escola Básica, em detrimento do pesado investimento da Escola da Avenida, AL refugiu-se no - desde sempre falacioso - argumento de que, por se tratar de equipamento sob alçada do ME, a autarquia não poderia interferir. Inexato. Como agora se comprova. A Escola Secundária, apesar de - releva, pasme-se, a edilidade - o ME ser a «entidade responsável pela manutenção do estabelecimento de ensino», acaba por beneficiar de uma obra que resulta justamente de um entendimento alcançado entre a Câmara e o ME. E a história da Carochinha desaba aqui. Pergunta-se: por que não aconteceu o mesmo entendimento com a tutela sobre a Escola Básica? Será que faltou visão e vontade políticas? Ou existirão outros planos para a Escola da Avenida, que só o tempo desnudará?

 

O Carnaval voltou e com ele alguma catarse sempre terapêutica. Porque estamos no Inverno, a probabilidade de as condições climatéricas inviabilizarem as grandes iniciativas a céu aberto são invariavelmente altas. Apesar de todos os esforços - mormente dos que estão sempre disponíveis para forçar o pretexto em nome de uma qualquer farra - mantém-se que o Carnaval não é uma tradição genuinamente portuguesa. Trata-se de uma importação, que seduziu e ganhou terreno pelo seu exotismo.

 

Portugal tem uma matriz etnocultural centrada no Entrudo que, ao representar um subconsciente coletivo, é também uma festa de inteira liberdade, durante a qual é permitido fazer-se tudo ou quase tudo. Com inteligência, criatividade e mordaz poder satírico, os costumes e os preconceitos veem-se remetidos para o fundo de um baú fechado a sete chaves.

 

Por isso, não sou – mau grado todo o respeito e consideração que me merecem os envolvidos - grande entusiasta desta importação de costumes de outro hemisfério onde o carnaval se festeja em pleno verão tropical. Ver as cachopas a sacudir a celulite, com uma brancura semifluorescente, ostentando pele de galinha, enquanto bebo o meu chazinho branco, é coisa que não me convence.

 

E depois pode acontecer o que ninguém deseja: após volumosos investimentos financeiros e pessoais, sucedem-se os cancelamentos um pouco por todo o país, penalizando fortemente quem tanto trabalha para que estas coisas aconteçam e saiam à rua.  Daí que elogie a inteligência estratégica de municípios e de outras organizações que já vão agendando estes eventos para o Verão. Com temperaturas mais apetecíveis e beneficiando de maior disponibilidade das populações, usualmente em gozo de férias, os riscos gerais são menores e os dividendos bem mais compensatórios.

José Manuel Alho

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